HOLA, QUE TAL?

 photo by  Aline More

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Histórico-afetiva

1980: Nasci em Porto Alegre. Minha mãe, uma jovem intelectual de família operária, tinha 17 anos e casou grávida, pra sair de casa. Meu pai, um jovem artista de 29 anos, estava arrebatado de paixão, mas casou pra não se encrencar com o pai da noiva.

1986: Tenho 5 anos e sonho em ter um piano. Meus pais negociam e me colocam pra estudar violino. Fico quase um ano fazendo aula de violino e detestando, apenas porque na hora do recreio o professor deixa eu ficar na sala com o piano. Ainda hoje, fingir que toco piano é uma atividade libertadora.

1993: Rejeitada por todas as crianças da escola nova. É preciso viver, mas agora vivo mais só, dentro da minha cabeça. Ocupo menos espaço. Quanto mais finjo que está tudo bem, pior fica o bullying, obviamente.